Duro, frio, mas não posso reclamar. Viver nessa situação um tanto precária foi minha escolha para ver ela todos os dias. Tenho fome faz mais de duas semanas, não tomo banho e nem escovo os dentes também, mas pra que me importar com isso? Não converso mais, muito menos consigo chegar perto dela.
Franchesca Mist, era a unica coisa que eu sabia dela. Foi de uma forma até estranha que a conheci. Vinha para o meu trabalho quando ela passou. Seu perfume me fez segui-la. Morena, meio rechonchuda, fofinha na realidade e bastante apressada. Consegui alcança-la antes de que ela entrasse no prédio em que trabalha. -Qual o seu nome?-perguntei antes que ela fugisse.
-Franchesca Mist. -E...
-Com licença que estou apressada. Parei e esperei ela sair. Devia ser nove da noite quando a vi saindo do prédio e fazendo o caminho de volta. Segui de novo, mas dessa vez sem mostrar que estava segundo-a, não queria assusta-la.
A noite chegou e ela não tinha saido nem chegado. A casa ficou escura, vazia. A rua parecia sem fim. Ao fundo apenas o barulho do vento batendo nas galhas secas das arvores, trazendo o frio. Um trote ao longe passa a ser percebido, o banco de cimento gelado agora começa a me prender com suas mãos frias.
Tem sido assim, o trote, o banco e o frio nessas duas semanas, e ainda assim nada de Franchesca. Hoje não vou ficar no banco. Vou atrás do cavalo que tanto anda por perto, mas nunca chega aqui.
A noite chega. Tudo começa de novo. O vento bate, não consigo me mecher, o banco já me prendeu por completo. Pernas, braços e tronco, tudo segurado pelas mãos frias do banco. O som do cavalo se aproxima, o que antes nunca tinha feito. Um cavaleiro negro em seu cavalo tão negro quanto quem o monta aparece no meio das folhas que caem das arvores.
-Thomas Well?-perguntou o cavaleiro.
-Sim, sou eu.
Duro, frio, mas não posso reclamar. Franchesca Mit passa agora aquela foice, sem nem sentir remorso.









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