2 de julho de 2011

Um amor que me mata.

Postado por NoName
  Duro, frio, mas não posso reclamar. Viver nessa situação um tanto precária foi minha escolha para ver ela todos os dias. Tenho fome faz mais de duas semanas, não tomo banho e nem escovo os dentes também, mas pra que me importar com isso?  Não converso mais, muito menos consigo chegar perto dela.
  Franchesca Mist, era a unica coisa que eu sabia dela. Foi de uma forma até estranha que a conheci. Vinha para o meu trabalho quando ela passou. Seu perfume me fez segui-la. Morena, meio rechonchuda, fofinha na realidade e bastante apressada. Consegui alcança-la antes de que ela entrasse no prédio em que trabalha.
  -Qual o seu nome?-perguntei antes que ela fugisse.
  -Franchesca Mist.
  -E...
  -Com licença que estou apressada.
  Parei e esperei ela sair. Devia ser nove da noite quando a vi saindo do prédio e fazendo o caminho de volta. Segui de novo, mas dessa vez sem mostrar que estava segundo-a, não queria assusta-la.

  Não demorou muito para chegarmos à casa dela, por sorte minha, havia uma praça em frente. Lembrei-me daquela musica que sempre odiei, do Bruno e Marrone "eu dormi na praça, pensando nela...". Isso foi em uma quinta feira. No outro dia, não a vi sair. Presumi que ela tinha saido antes ou não tinha saido.
  A noite chegou e ela não tinha saido nem chegado. A casa ficou escura, vazia. A rua parecia sem fim. Ao fundo apenas o barulho do vento batendo nas galhas secas das arvores, trazendo o frio. Um trote ao longe passa a ser percebido, o banco de cimento gelado agora começa a me prender com suas mãos frias.
  Tem sido assim, o trote, o banco e o frio nessas duas semanas, e ainda assim nada de Franchesca. Hoje não vou ficar no banco. Vou atrás do cavalo que tanto anda por perto, mas nunca chega aqui.
  A noite chega. Tudo começa de novo. O vento bate, não consigo me mecher, o banco já me prendeu por completo. Pernas, braços e tronco, tudo segurado pelas mãos frias do banco. O som do cavalo se aproxima, o que antes nunca tinha feito. Um cavaleiro negro em seu cavalo tão negro quanto quem o monta aparece no meio das folhas que caem das arvores.
  -Thomas Well?-perguntou o cavaleiro.
  -Sim, sou eu.
  Duro, frio, mas não posso reclamar. Franchesca Mit passa agora aquela foice, sem nem sentir remorso.

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